A Apple pode ser forçada a repassar aos consumidores um aumento significativo no preço do iPhone 18, previsto para o segundo semestre de 2026. O motivo é uma crise global que vai muito além das paredes de Cupertino: a escassez de memória DRAM e NAND, dois componentes essenciais para o funcionamento de qualquer smartphone moderno, atingiu níveis sem precedente — e o principal responsável por essa pressão é a corrida das grandes empresas de tecnologia pela infraestrutura de inteligência artificial.

Durante a teleconferência de divulgação dos resultados do segundo trimestre fiscal da Apple, realizada em 1º de maio de 2026, o CEO Tim Cook foi questionado repetidamente por analistas sobre como a empresa planeja lidar com a disparada nos custos de memória. Apesar de não revelar uma estratégia definitiva, Cook reconheceu abertamente a gravidade do cenário e deixou no ar a possibilidade de que nenhuma saída seja indolor para o consumidor final.

Acreditamos que os custos de memória terão um impacto crescente sobre nossos negócios. Continuaremos avaliando isso.

— Tim Cook, CEO da Apple, em teleconferência de resultados (maio de 2026)

A raiz do problema: IA consome memória que faltará nos smartphones

Para entender o que está acontecendo, é preciso olhar para o mercado global de semicondutores. Cada nova geração de chips de inteligência artificial — como os processadores da Nvidia usados em data centers ao redor do mundo — demanda quantidades cada vez maiores de memória de alto desempenho. Samsung e SK Hynix, duas das maiores fabricantes mundiais de DRAM, estão priorizando contratos de longo prazo com empresas de IA e provedores de nuvem, que pagam preços mais elevados e garantem volumes gigantescos de compra.

O resultado direto disso é uma escassez no mercado de memória para dispositivos de consumo, como smartphones e computadores pessoais. Com menos oferta disponível e demanda aquecida, os preços sobem. Analistas da empresa de pesquisa TechInsights estimam que, até o final de 2026, o preço da memória DRAM pode quadruplicar em relação aos patamares de 2023, enquanto a NAND — usada no armazenamento interno dos aparelhos — pode mais do que triplicar no mesmo período.

📊 Projeção de aumento nos custos de memória (base: 2023)

Memória DRAM (até dez/2026) +300% estimado
Memória NAND (até dez/2026) +200% estimado
Custo adicional estimado no iPhone 18 base + US$ 57 por unidade
RAM esperada no iPhone 18 base 12 GB (vs. 8 GB no iPhone 17)

Os números são especialmente preocupantes para a Apple porque o iPhone 18 está sendo projetado justamente para ter mais memória do que seu antecessor. De acordo com o analista Dan Nystedt, o modelo básico da nova linha deve estrear com 12 GB de RAM — um salto de 50% em relação aos 8 GB do iPhone 17 —, movimento necessário para suportar os recursos avançados do Apple Intelligence, a plataforma de IA da empresa que chegará ao iOS 27. Com mais memória no dispositivo e preços de componentes nas alturas, a equação financeira fica bastante complexa.

As opções da Apple: absorver, reduzir ou repassar?

Durante a teleconferência, Cook reconheceu que a empresa está diante de um leque de escolhas que não inclui nenhuma alternativa fácil. Gil Luria, analista da D.A. Davidson, delineou as três saídas possíveis para a Maçã: reduzir a quantidade de memória nos aparelhos, elevar os preços de venda ao consumidor ou absorver os custos extras reduzindo suas próprias margens de lucro.

Contexto importante: A Apple garantiu contratos de fornecimento de memória apenas para o primeiro semestre de 2026. Isso significa que o planejamento do iPhone 18 — previsto para o segundo semestre — ocorre sob grande incerteza, com novos acordos precisando ser negociados em um ambiente de custos muito mais elevados.

A analista Nabila Popal, da IDC, acredita que eventuais aumentos não serão distribuídos igualmente entre todos os modelos da linha. Segundo ela, a estratégia mais provável da Apple seria concentrar reajustes nas versões iPhone 18 Pro e Pro Max, preservando o preço do modelo básico para evitar perda de participação de mercado na faixa de entrada. Essa abordagem seria coerente com o histórico da empresa, que já utilizou os modelos premium como “esponja” para absorver variações de custo em ciclos anteriores.

Por outro lado, a possibilidade de a Apple simplesmente absorver os custos extras também está sobre a mesa. O analista Ming-Chi Kuo, um dos mais respeitados observadores da cadeia de suprimentos da Maçã, acredita que a empresa pode preferir reduzir temporariamente suas margens caso entenda que o ciclo do iPhone 18 é estrategicamente crucial para a consolidação do ecossistema Apple Intelligence. A empresa já fez isso em outros momentos — quando priorizou crescimento de base instalada sobre retorno imediato — mas a escala da crise atual torna essa aposta mais arriscada do que nunca.

Um problema que vai além da Apple

A situação da Apple não é isolada. Na mesma semana em que Tim Cook fez seu alerta, Meta e Microsoft também sinalizaram em suas teleconferências de resultados que o aumento nos preços de memória contribuiu para elevar suas projeções de gastos com infraestrutura. A Microsoft, por exemplo, prevê investir US$ 190 bilhões em capital em 2026 — alta de 61% sobre o ano anterior — e sua diretora financeira, Amy Hood, admitiu que uma parcela relevante desse aumento decorre exatamente do encarecimento dos componentes de memória.

Jake Behan, chefe de mercados de capitais da Direxion, resumiu bem o momento: mesmo as empresas mais bem geridas do planeta não conseguem escapar integralmente das pressões geradas pela crise de memória. O alerta de Tim Cook sobre custos “significativamente mais altos” nos próximos trimestres evidencia que o que era um problema de data centers chegou às portas do mercado de consumo — e que o consumidor final pode ser, no fim, quem pagará a conta.

O que esperar no lançamento do iPhone 18?

Com previsão de lançamento para setembro de 2026, o iPhone 18 chega em um contexto de incerteza como poucas vezes se viu no calendário da Apple. A linha deve estrear o processador A20, fabricado no processo de 2 nanômetros da TSMC, com ganhos de desempenho da ordem de 15% em relação à geração anterior e melhor eficiência energética. Do ponto de vista de hardware, o aparelho promete ser um salto considerável — especialmente nos modelos Pro, que devem receber câmera principal com abertura variável pela primeira vez.

O grande ponto de interrogação, porém, segue sendo o preço. Se a Apple optar por repassar ao consumidor o custo extra de US$ 57 estimado apenas para a memória do modelo básico, o iPhone 18 base pode romper a barreira psicológica dos US$ 900 nos Estados Unidos — e chegar ao Brasil por valores ainda mais expressivos, dada a tributação nacional sobre eletrônicos importados. Para os consumidores brasileiros, que já enfrentam preços historicamente elevados para produtos Apple, o cenário é de atenção redobrada.

A única certeza, por ora, é que a decisão de Tim Cook sobre como gerenciar essa crise vai moldar não apenas o preço do iPhone 18, mas também a percepção do mercado sobre a resiliência da Apple em um momento em que a inteligência artificial está reescrevendo as regras de toda a cadeia produtiva de tecnologia.

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